Temporada Osesp: Shipway e Poltéra
foto de Marco Borggreve
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
11 jul 13 quinta-feira 21h00
Cedro
12 jul 13 sexta-feira 21h00
Araucária
13 jul 13 sábado 16h30
Mogno
QUINTA-FEIRA 11/JUL/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 12/JUL/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 13/JUL/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Frank Shipway regente
Christian Poltéra violoncelo
Programa
Edward ELGAR
Serenata Para Cordas em Mi Menor, Op.20
William WALTON
Concerto Para Violoncelo
Edward ELGAR
Variações Enigma, Op.36
bis solista
quinta, sexta e sábado
Johann Sebastian BACH

Suíte nº 1 Para Violoncelo em Sol Maior, BWV 1007: Sarabande

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

Pobre Elgar. Enterrado com muita pompa, quase não se pode perceber, hoje, a circunstância em que se desenvolveu como compositor. Bem mais do que pela trilha sonora dos eventos da família real, ele foi o responsável pelo renascimento da música britânica após um longo silêncio de 200 anos desde Henry Purcell (1659-95).
Os alemães, entre os quais Hans Richter e Richard Strauss, foram os primeiros a reconhecer e admirar seu idioma pós-wagneriano com ecos de Brahms e Mendelssohn.
Só depois dos elogios teutônicos é que seus compatriotas passaram do descaso à adulação, fazendo-o lorde e “Mestre da Música Inglesa”, títulos que petrificaram a criatividade nostálgica do homem modesto, muito ligado às suas raízes no campo, e que devia à mulher, Alice, sua ascensão social.
Já era um quarentão quando ganhou espaço no cenário musical europeu com as Variações Enigma; e ficou marcado como compositor de obras de grandes dimensões.
Uma de suas peças favoritas, porém, era a pequena Serenata Para Cordas, que incluiu nas últimas gravações que fez, um ano antes de morrer. Nela, Elgar, excelente violinista, mostra um domínio da orquestra raro na música inglesa do seu tempo, com simplicidade de recursos: são dois movimentos compactos e animados que emolduram o coração do trabalho, um larghetto tocante.

O título das Variações Enigma é ambíguo, pois não há propriamente mistério. O tal enigma, se é que se pode chamá-lo assim, refere-se apenas ao tema principal, e não ao todo da obra ou aos nomes das variações, apesar de jornais americanos realizarem concursos de adivinhação sobre quem estaria por trás delas.
“Estou trabalhando num grupo de variações sobre um tema original. Elas me divertem porque dei apelidos de meus amigos”, escreveu Elgar ao amigo August Jaeger, da firma que editava suas partituras. “Você é ‘Nimrod’. Escrevi as variações de forma que cada uma representa o espírito de alguém da turma. Imaginei as pessoas do nosso grupo escrevendo uma variação para si. Compus, então, pensando o que cada um teria escrito se fosse burro o bastante para ser compositor. É uma ideia bizarra, e o resultado é divertido para aqueles ‘atrás das cenas’, mas que não vai afetar o prazer do ouvinte que não sabe ‘patavinas’.”
As variações não são “retratos”, mas eventos ou ideias ligadas a uma personalidade particular que poderia tanto ser a mulher de Elgar, Alice (“C.A.E”.), como a amiga espivetada Dora Penny (“Dorabella”, personagem de Cosí Fan Tutte, de Mozart) ou o próprio compositor em “E.D.U.” (ou Edo, seu apelido familiar).
Talvez o grande enigma não seja musical, mas conceitual: a ligação profunda que reunia esses 14 amigos. Não se deixe enganar pelos bigodões edwardianos de Sir Edward, menos interessado, no fundo, em ser a voz do império onde o sol nunca se põe, e mais saudoso dos cottages rurais e um alegre brincalhão com sua “turma”.
Esse lado humano é perceptível no fato de que, após a morte de Alice, Elgar nunca mais escreveu uma linha de música. Em 1923, deprimido com a chegada do Natal e sem paciência com a alegria forçada da época, arriscou-se a viajar ao Brasil.
Ou melhor, à Amazônia (isso em 1923!), passando seis semanas em Manaus, onde conheceu o teatro Amazonas e caçou nas florestas – fatos ignorados pela maioria dos seus biógrafos.

William Walton sintetizou as conquistas musicais de Elgar e, de quebra, apontou para o futuro. Mas foi pego por esse mesmo futuro no final de sua vida. Após o sucesso, que incluiu a composição de trilhas de filmes, seu estilo lírico não resistiu às agruras da realidade do pós-guerra, e ele foi visto como obsoleto. Os novos tempos pediam a arte estridente de Benjamin Britten e não a sonoridade exuberante de Walton.
Foi com o seu Concerto Para Violoncelo, de 1956, que tentou reconquistar espaço. Após ter ouvido que Walton escrevera uma peça para o violinista Jascha Heifetz, o violoncelista russo Gregor Piatigorsky, então nos Estados Unidos, encomendou a obra ao inglês.
Walton repetiu a fórmula das suas peças anteriores, invertendo o padrão típico da forma, colocando dois movimentos lentos nas pontas, com um central rápido, na verdade um scherzo.
A peça abre com o acompanhamento de um tique-taque obsessivo, cujas notas são traduzidas pelo solista numa longa e bonita melodia. Há um contraste forte entre o romantismo do violoncelo e a tensão ao seu redor. O movimento central é vivo, sem que Walton abra mão dos interlúdios líricos.
Já o último movimento é um grupo de variações que dura tanto quanto os dois movimentos anteriores juntos. A segunda variação dá ao violoncelo a chance de uma cadência, e o Concerto encerra com a relembrança do tique-taque inicial. Nesse momento, o violoncelo entra dois compassos “atrasado”, como que perdido na poesia do momento.
CARLOS HAAG é jornalista, editor-executivo da revista Pesquisa Fapesp e apresentador do programa Concertos Osesp na Rádio Cultura FM.
Busto De William Walton, De Autoria De Maurice Lambert, 1925






EDWARD ELGAR [1857-1934]
Serenata Para Cordas em Mi Menor, Op.20 [1892]
12 MIN

WILLIAM WALTON [1902-83]
Concerto Para Violoncelo [1957]
- Moderato
- Allegro Appassionato
- Tema ed Improvisazioni
30 MIN

EDWARD ELGAR [1857-1934]
Variações Enigma, Op.36 [1898]
- Enigma
- I. (C.A.E.)
- II. (H.D.S-P.)
- III. (R.B.T.)
- IV. (W.M.B.)
- V. (R.P.A.)
- VI. (Ysobel)
- VII. (Troyte)
- VIII. (W.N.)
- IX. (Nimrod)
- X. (Dorabella) Intermezzo
- XI. (G.R.S.)
- XII. (B.G.N.)
- XIII. (***) Romanza
- XIV. (E.D.U.) Finale
32 MIN

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