Temporada Osesp: Jurowski e Wispelwey
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
25 jul 13 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
26 jul 13 sexta-feira 21h00
Sapucaia
27 jul 13 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 25/JUL/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 26/JUL/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 27/JUL/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Michail Jurowski regente
Pieter Wispelwey violoncelo
Programa
Witold LUTOSLAWSKI
Concerto Para Violoncelo
Dmitri SHOSTAKOVICH
Sinfonia nº 10 em Mi Menor, Op.93
bis solista
quinta

Benjamin BRITTEN
Sonata Para Violoncelo nº 1, Op.72: Lamento
sábado
Johann Sebastian BACH

Suíte nº 1 em Sol Maior, BWV 1007: Sarabande

Witold Lutoslawski é o Compositor Transversal da Temporada Osesp 2013.
Leia o ensaio Sinceridade Máxima da Expressão: A Música de Witold Lutoslawski, de Henryk Siewierski [UnB].

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa
Duvido que Stalin tenha algum dia questionado seu gênio ou sua grandeza. Mas quando a guerra contra Hitler estava ganha, ele perdeu o controle. Parecia um sapo infl ando até o tamanho de um boi, com a diferença que todos ao seu redor já o consideravam o boi e o tratavam como tal. Todos elogiavam Stalin, e agora eu tinha que fazer parte dessa história terrível. Havia uma desculpa apropriada. Nós terminamos a guerra de modo vitorioso; não importa o custo, o importante foi que vencemos, e o império se expandiu. E eles exigiram que Shostakovich usasse o quádruplo de instrumentos de sopros, coro e solistas para saudar o líder. Tanto mais porque Stalin considerou o número auspicioso: a Nona Sinfonia.
Stalin sempre escutava atentamente os especialistas. Estes lhe disseram que eu conhecia meu ofício e, portanto, ele supôs que a sinfonia em sua homenagem seria uma peça musical de qualidade. Poderia dizer: “Lá está ela, a nossa Nona nacional”.
Confesso que encorajei os sonhos do líder. Anunciei que estava escrevendo uma apoteose. Queria que parassem de me pressionar, mas a tentativa falhou. Quando minha Nona foi executada, Stalin se enfureceu. Sentiu-se muito ofendido pela ausência de coro e solistas. E nada de apoteose. Não havia sequer uma reles homenagem. Era apenas música, que Stalin não entendia muito bem, e cujo conteúdo era duvidoso.
As pessoas dirão que isso é difícil de acreditar, que o memorialista está distorcendo as coisas aqui, e que o líder certamente não tinha tempo, naqueles difíceis dias do pós-guerra, de se preocupar com sinfonias e homenagens. Mas o disparate é que Stalin prestava muito mais atenção nas homenagens do que nos assuntos de Estado.
Isso não estava acontecendo só comigo. Alexander Dovzhenko me contou uma história semelhante. Ele fez um documentário durante a guerra e, por alguma razão, negligenciou Stalin, que ficou irado. Ele convocou Dovzhenko, que foi recebido aos gritos por Beria, na frente de Stalin: “Você não poderia reservar dez metros de fi lme para o nosso líder? Bem, agora você vai morrer como um cão!” Por algum milagre, Dovzhenko sobreviveu.
Eu não podia escrever uma apoteose para Stalin, simplesmente não podia. [...]
Na verdade, retratei Stalin em minha sinfonia seguinte, a nº 10. Eu a escrevi logo após sua morte — e ninguém ainda adivinhou o tema da sinfonia. É sobre Stalin e os anos stalinistas: o scherzo é um retrato musical de Stalin. É claro que há muitas outras coisas nela, mas essa é a base.
SOLOMON VOLKOV (ED.), TESTIMONY: THE MEMOIRS OF DMITRI SHOSTAKOVICH (LIMELIGHT EDITIONS, 2004). TRADUÇÃO DE ANDRÉ FIKER.




WITOLD LUTOSLAWSKI [1913-94]
Concerto Para Violoncelo [1970]
25 MIN

DMITRI SHOSTAKOVICH [1906-75]
Sinfonia nº 10 em Mi Menor, Op.93 [1953]
- Moderato
- Allegro
- Allegretto - Più Mosso
- Andante - Allegro - L'Istesso Tempo
57 MIN

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