Temporada Osesp: De Burgos rege Haydn, Debussy e De Falla
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
01 ago 13 quinta-feira 21h00
Jacarandá
02 ago 13 sexta-feira 21h00
Pequiá
03 ago 13 sábado 16h30
Ipê
QUINTA-FEIRA 01/AGO/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 02/AGO/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 03/AGO/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00


No dia 2 de agosto, às 20h00, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Rafael Frühbeck de Burgos regente
Programa
Joseph HAYDN
Sinfonia nº 1 em Ré Maior
Sinfonia nº 100 em Sol Maior - Militar
Claude DEBUSSY
La Mer
Manuel De FALLA
El Sombrero de Tres Picos: Suíte nº 2

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa


Durante muito tempo, a música à qual a maior parte da população podia ter acesso, ainda que com certos obstáculos, era aquela feita na ópera ou na igreja. Em ambos os casos, ouvia-se muito pouco música puramente instrumental.
O concerto público, tal como o conhecemos hoje, teve data certa de nascimento. Segundo Henry Raynor, em seu notável livro História Social da Música, ele surgiu na Inglaterra em 1672. Aos poucos, difundiu-se pelo continente europeu. Em 1712, o Collegium Musicum, em Frankfurt, passou a oferecer concertos a um grupo de assinantes; em 1721, o mesmo aconteceu em Hamburgo. Em Paris, o célebre Concert Spirituel — que, ao contrário do que o nome sugere, de modo algum se restringia à música sacra — iniciou suas atividades em 1725.
Esse movimento, que se tornou poderoso, foi possível graças ao surgimento de uma classe média interessada em pagar pelo prazer de ouvir música. A coisa deu tão certo que muitos compositores passaram a ser requisitados para escrever obras especialmente para esses concertos, em que se desejava principalmente música inédita. O Concert Spirituel parisiense, que tinha boa fonte de recursos, encomendava obras a muitos artistas, tanto aos radicados em Paris como a outros que viviam bem longe, como Johann Christian Bach e Franz Joseph Haydn.
Em seu livro Haydn: Sinfonias, o musicólogo norte-americano H.C. Robbins Landon afirma que “a música de Haydn era evidentemente muito popular na França. [...] Todas as suas sinfonias foram apresentadas nos vários concertos parisienses com invariável sucesso, e numerosas editoras publicavam qualquer trabalho sinfônico original de Haydn que lhes caísse em mãos.”
Por volta de 1784, o jovem entusiasta Conde d'Ogny encomendou seis sinfonias a Haydn, que ficaram conhecidas como Sinfonias de Paris. São elas as de nº 82 a 87, escritas entre 1785 e 1786. Foi uma oportunidade artística sem precedentes na vida de Haydn, que dispôs de uma quantidade de músicos até então nunca vista pelas orquestras provincianas alemãs ou austríacas: cerca de 40 violinos e dez contrabaixos!
Logo ele receberia mais uma encomenda, que resultaria nas últimas obras do gênero que viria a compor: as chamadas Sinfonias de Londres, conjunto que reúne as sinfonias de nº 93 a 104. A encomenda veio de Johann Peter Salomon, violinista e compositor alemão que se radicou em Londres em 1780 e, percebendo as possibilidades comerciais exibidas pela capital inglesa, tornou-se empresário de concertos. Convidado a visitar a cidade, Haydn, que começara a carreira numa época em que os músicos faziam parte da criadagem de um palácio aristocrático, foi recebido por nobres, embaixadores, frequentou jantares noite após noite e foi assediado por jornalistas. Além de ganhar muito dinheiro, muito mais do que sonhara ganhar. 
A Sinfonia nº 100 tornou-se uma de suas peças mais conhecidas, talvez por usar instrumentos típicos de uma banda militar — bombo, pratos e triângulo — inclusive no movimento lento. Para nossos ouvidos modernos, isso é perfeitamente natural, mas, para o público da época, era algo inusitado. A estreia dessa obra, realizada no Hanover Square, em 31 de março de 1794, foi o maior sucesso de toda a vida do compositor.
Ouvir a Sinfonia nº 100 e compará-la com a nº 1, escrita por Haydn 35 anos antes, é uma experiência fascinante. Sua primeira criação no gênero é pequena e encantadora. Os movimentos externos sãocheios de vivacidade e alegria, e, no movimento intermediário, o espírito galante dá lugar, aqui e ali, a alguns lampejos de expressão que já indicam o caminho que o compositor viria a seguir.
JOÃO MAURÍCIO GALINDO é diretor artístico e regente titular da Orquestra Jazz Sinfônica e apresentador do programa Pré-Estreia, na TV Cultura.




Em se tratando de música, os franceses são ordeiros e precisos nas formas mais curtas, mas parecem não sentir necessidade ou desejo de se submeter à imensa disciplina mental exigida para a criação de estruturas extensas e unificadas. A música francesa se caracteriza pela concisão formal, pela expressão mais episódica, pela clareza de pensamento e de sentimento e por um domínio técnico cuidadoso e preciso. Também encontramos no gosto francês um amor desembaraçado pelo prazer, o repúdio à dor, um deleite voluptuoso com o som enquanto som, sem o sentimento germânico da culpa — além de um encanto pela cor como valor em si.
Por trás disso, está o espírito de compositores como François Couperin (1668-1733) e Jean-Philippe Rameau (1683-1764), com sua sensibilidade, seu encanto, seu toque primoroso e sua expressão essencialmente simples. É um espírito mais aristocrático e cortês que “popular”; sofisticado e arguto, agradando mais a uma elite — uma música da inteligência e dos sentidos, antes que uma música da introspecção e da abstração.
Debussy considerava sofríveis as estruturas de larga escala de seu conterrâneo Hector Berlioz. Descreveu a Sinfonia Fantástica como “uma obra-prima febril de ardor romântico, que nos assombra com o fato de a música ser capaz de interpretar situações tão extravagantes sem perder o fôlego”. Ele haveria de encontrar suas próprias formas irresistíveis e instigantes de expressão, nas quais se têm estruturas de larga escala bem convincentes: a demonstração mais clara disso é La Mer — uma obra-prima e a mais pessoal, abrangente e representativa de suas composições para orquestra.
Como pano de fundo, temos sua ligação íntima com o mar, desde a infância. Debussy foi sempre enfeitiçado pelas histórias de viagens a terras distantes, e seu pai acalentou a ideia de que se tornaria marinheiro. É quase certo que, com seu temperamento, essa vida teria sido insuportável para ele. Mas o mar permaneceu como paixão e como fonte de inspiração, na forma de recordações, de imaginação e de influência de outras obras de arte.

Debussy ficou muito impressionado com as marinhas de William Turner (1789-1862), que provavelmente viu em Paris e na National Gallery, em Londres, em suas visitas em 1902 e 1903 — época em que começou a compor La Mer. Ele também teria lido as vívidas descrições do mar nos escritos de Edgar Allan Poe [muito em voga com os simbolistas franceses].
Outra influência importante vinha do Japão, das paisagens e marinhas de dois artistas, Katsushika Hokusai (1760-1849) e Ando Hiroshige (1797-1858), que haviam entrado em voga em Paris e exerceram forte influência na arte desse período. A pedido do próprio compositor, a arte da capa da partitura completa de La Mer foi uma reprodução da gravura de Hokusai A Grande Onda de Kanagawa — maravilhosamente adequada à peça, com sua estilização detalhista, seu estilo decorativo pessoal e sua atmosfera poderosa.
Como no caso de Turner, Debussy havia experimentado pessoalmente o perigo das tempestades no mar. Durante a composição de seu trabalho, ele falava das “memórias sem fim” que emergiam e “que valiam mais que a realidade, que geralmente nos oprime em demasia” —, memórias que já haviam provido a inspiração para “Sirènes” [um dos movimentos de Nocturnes] e para a música marinha da ópera Pelléas et Mélisande.
Após as restrições de estilo e expressão que Debussy havia imposto a si mesmo em Pelléas (completada em 1902), era como se, em La Mer, ele sentisse uma necessidade imediata de bascular para uma construção mais robusta, de alcance mais amplo e exterior, repleta de diversidade e de força rítmica. O resultado é um trabalho rico e evocativo, de grande importância na obra do compositor. Em La Mer, não há vagueza nem imprecisão. As sutilezas harmônicas, a mistura das cores, a atmosfera de cada um dos movimentos — tudo foi concebido com a maior clareza e confiança técnica. [...]
A partitura de La Mer foi concluída em 1905: “Domingo, 5 de março, às seis da tarde”, acrescentou o compositor ao manuscrito. Sete meses depois, em 15 de outubro, ocorreu a primeira execução da obra em Paris, pela Orquestra Lamoureux, sob regência de Camille Chevillard.
DAVID COX. Debussy - Orchestral Music (BBC Music Guides, 1974). Tradução de Luísa Valentini.






Diferentemente de Béla Bartók, que buscou elementos na música folclórica para criar sua linguagem pessoal, o compositor espanhol Manuel de Falla usou temas e harmonias originais, vindos da música popular de seu país, e deu-lhes um tratamento muito especial e próprio ao recriá-los em suas obras. O balé El Sombrero de Tres Picos é uma obra-chave no seu pouco extenso catálogo.
A peça foi encomendada ao compositor pelo diretor dos Balés Russos, Serguei Diaghilev. Devido aos problemas financeiros causados pela Primeira Guerra Mundial e pela Revolução Bolchevique, os planos da estreia foram frustrados. De Falla conseguiu então permissão para apresentar o balé em Madri, em abril de 1917. Essa primeira versão chamava-se El Corregidor y la Molinera e tinha libreto de Martínez Sierra, baseado na novela de Pedro Antonio de Alarcón. [...]
Na farsa, um velho corregedor se apaixona pela bela esposa do moleiro Lucas, e faz de tudo para conquistá-la. O excesso de aventuras e confusões da história dificultava sua transposição para o palco. Nessa primeira versão, De Falla, preocupado em descrever com detalhes todas as ações e gestos da pantomima, tornou ainda mais difícil para o público a compreensão da história, o que também comprometeu a unidade musical. Mesmo assim, a obra obteve grande sucesso. Diaghilev, que assistiu a uma das apresentações, sugeriu uma série de modificações, liberando a partitura de vários detalhes inúteis. Essa versão definitiva estreou em Londres, em julho de 1919, com cenários de Picasso, coreografia de Léonide Massine e regência de Ernest Ansermet.
Um dos aspectos mais notáveis desse balé é a extrema eficiência da orquestração de De Falla. Existem pouquíssimas notas pedais [notas graves sustentadas, na base da harmonia], o que faz a orquestra soar às vezes como um grande violão amplificado. A influência da orquestração dos compositores franceses Debussy e Ravel é evidente, pela economia de recursos e transparência das texturas sonoras. Os instrumentos são integrados pouco a pouco, e a terceira e quarta trompas, assim como os trombones e a tuba, só aparecem no final.
De Falla reuniu parte do material do balé em duas suítes orquestrais, aproveitando algumas das danças. A Suíte nº 2 começa com a alegre dança seguidilla, em que os vizinhos se reúnem no moinho para comemorar a noite de São João. Incentivado por sua mulher, o moleiro dança uma farruca — dança masculina da Andaluzia —, que termina com um crescendo e acelerando da orquestra, evocando os sons do sapateado em um tablado. Essa dança foi composta em um dia por De Falla a pedido de Diaghilev, pois faltava um solo de destaque para o primeiro bailarino, Léonide Massine.
Em seguida, a mando do corregedor, dois meirinhos levam o moleiro preso, sem explicações. Os vizinhos vão embora, deixando a moleira sozinha e desesperada. [...] Por fim, uma procissão de pessoas que participavam dos festejos da noite de São João cruza a ponte e, junto com os vizinhos, expulsa o corregedor e os meirinhos. Depois de uma rápida reconciliação, o moleiro e sua bela mulher juntam-se à multidão para a “Dança Final”, uma jota.
[2004]
EDUARDO GUIMARÃES ÁLVARES (1959-2013). A Revista Osesp homenageia o compositor mineiro, falecido precocemente em março deste ano. Em dezembro, Marin Alsop regerá a estreia mundial de A Lua do Meio-Dia, encomenda da Osesp ao compositor.



JOSEPH HAYDN [1732-1809]
Sinfonia nº 1 em Ré Maior [1759]
- Presto
- Andante
- Finale: Presto
11 MIN

Sinfonia nº 100 em Sol Maior - Militar [1794]
- Adagio - Allegro
- Allegretto
- Menuetto - Trio
- Finale: Presto
24 MIN

CLAUDE DEBUSSY [1862-1918]
La Mer [1903-5]
- De l’Aube à Midi Sur la Mer
(No Mar, do Amanhecer Até o Meio-Dia)
- Jeux de Vagues (O Jogo Das Ondas)
- Dialogue du Vent et de la Mer (Diálogo do Vento e do Mar)
23 MIN

MANUEL DE FALLA [1876-1946]
El Sombrero de Tres Picos: Suíte nº 2 [1919] (O Sombreiro de Três Pontas)
- Los Vecinos (Seguidillas) (Os Vizinhos)
- Danza Del Molinero (Farruca) (Dança do Moleiro)
- Danza Final (Jota) (Dança Final)
12 MIN


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