Temporada Osesp: De Burgos rege Brahms e Beethoven
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
08 ago 13 quinta-feira 21h00
Cedro
09 ago 13 sexta-feira 21h00
Araucária
10 ago 13 sábado 16h30
Mogno
QUINTA-FEIRA 08/AGO/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 09/AGO/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 10/AGO/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00

   


No dia 10 de agosto, às 15h30, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Rafael Frühbeck de Burgos regente
Coro Acadêmico
Coro da Osesp
Naomi Munakata regente
Programa
Rafael Frühbeck de BURGOS
Fanfarra Sobre Temas da Sinfonia nº 4 de Brahms
Johannes BRAHMS
Nänie, Op.82
Gesang der Parzen, Op.89
Schicksalslied, Op.54
Ludwig van BEETHOVEN
Sinfonia nº 5 em Dó Menor, Op.67

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

A origem familiar alemã e a formação musical em grande parte alemã de Rafael Frühbeck de Burgos levaram-no de maneira natural ao conhecimento da música orquestral de Johannes Brahms, uma das preferidas do maestro desde o princípio de sua carreira. Essa tendência se consolidou definitivamente no início dos anos 1960, quando o jovem regente passou a colaborar com a Orquestra Nacional da Espanha, conjunto de formidável linhagem brahmsiana, sob as batutas experientes de Carl Schuricht e Ataúlfo Argenta.
Dessa maneira, a música orquestral de Brahms — muito especialmente as quatro Sinfonias, o Concerto Para Violino e o Réquiem Alemão — veio a constituir um dos pilares do repertório cultivado por Frühbeck de Burgos à frente de qualquer das orquestras em que pôde trabalhar com continuidade, como a própria Orquestra Nacional da Espanha e a Filarmônica de Dresden, da qual foi regente titular de 2004 a 2011.
Logo, não é de se estranhar que, em um momento de plena maturidade artística e pessoal como o que atravessa agora, Frühbeck de Burgos tenha decidido empreender uma desejada revisão de suas interpretações das Sinfonias de Brahms, gravando-as novamente com a orquestra alemã que dirigia.
Para preludiar as performances públicas das sinfonias no ciclo completo que apresentou em Madri e em Dresden, Frühbeck de Burgos encomendou fanfarras a quatro compositores con-temporâneos, três espanhóis e um alemão. Cada uma deveria aludir de alguma forma à sinfonia à qual iria servir de prelúdio. Os encarregados da tarefa foram Tomás Marco, Udo Zimmermann, Laura Vega e Alejandro Yagüe.
O próprio Frühbeck de Burgos também quis escrever uma breve composição na linha do que havia encomendado aos outros. Essa é a peça que escutaremos hoje, uma mostra recente do ofício compositivo desse grande maestro.
JOSÉ LUIS GARCÍA DEL BUSTO é musicólogo. Foi programador da Rádio Nacional da Espanha e colaborador do jornal El País. Tradução de Ricardo Teperman.





O crítico tem diante de si uma das obras mais importantes do Mestre, a quem certamente ninguém contestará o primeiro lugar como autor de música instrumental; está impregnado pelo objeto sobre o qual vai falar, e ninguém lhe poderá levar a mal, se exceder os limites das críticas comuns e procurar exprimir por palavras tudo o que sentiu no fundo da alma, ao escutar aquela composição.
Quando se fala de Música como uma arte autônoma, deveria ter-se sempre em mente apenas a música instrumental, a qual, desprezando todo o auxílio, toda a mistura de qualquer outra arte, exprime puramente a genuína essência da Arte, que só nela pode ser encontrada. Ela é a mais romântica das artes — quase diríamos, a única puramente romântica.
A Música desvenda ao homem um reino desconhecido; um mundo que nada tem em comum com o mundo exterior sensível que o rodeia, e no qual ele deixa para trás todos os sentimentos definíveis por conceitos para se entregar ao inefável. Quão pouco compreenderam essa essência peculiar da Música aqueles autores de música instrumental que tentaram representar sentimentos definidos ou até acontecimentos, dando, assim, um tratamento plástico à arte que é o extremo oposto das artes plásticas!
As sinfonias desse gênero, de Carl Ditters von Dittersdorf (1739-99), bem como a recente Bataille Des Trois Empereurs, de Louis-Emmanuel Jadin (1768-1853) etc., devem ser punidas com o total esquecimento, como equívocos ridículos que são. No canto, onde a Poesia que se associa à Música sugere, por palavras, determinados afetos, a força mágica da Música atua como o elixir maravilhoso dos sábios, do qual bastam poucas gotas para tornar qualquer bebida deliciosa, magnífica. Todas as paixões que a ópera nos apresenta — amor, ódio, ira, desespero etc. —, é a Música que as reveste com o resplendor purpúreo do Romantismo, e mesmo aquilo que sentimos na vida transporta-nos para fora da vida, para o reino do Infinito. Tão forte é a magia da Música; e, atuando com poder crescente, tinha necessariamente que despedaçar as cadeias de qualquer outra arte.
Se alguns compositores geniais elevaram a música instrumental às alturas em que ela agora se encontra, isso não é devido somente à maior facilidade dos meios de expressão (aperfeiçoamento dos instrumentos, maior virtuosidade dos executantes), mas a um mais profundo e íntimo conhecimento da essência própria da Música.
Haydn e Mozart, os criadores da moderna música instrumental, foram os primeiros a mostrar-nos a Arte na sua glória plena. Mas quem a intuiu com todo o amor e penetrou na sua essência mais íntima foi Beethoven.
As composições instrumentais desses três mestres respiram um mesmo espírito romântico, que reside exatamente na mesma captação íntima da essência peculiar da Arte; mas o ca-ráter das suas composições distingue-se consideravelmente.
A expressão de uma alma infantil e serena predomina nas composições de Haydn. Suas sinfonias transportam-nos a prados verdejantes, incomensuráveis, a uma multidão alegre, variada, de pessoas felizes. Rapazes e moças deslizam em danças de roda; crianças risonhas escutando por trás das árvores, por trás de roseiras, cobrem-se de flores, brincando. Uma vida cheia de amor, cheia de felicidade, como antes do pecado, em eterna juventude; nem sofrimento nem dor. Só o desejo doce, melancólico da pessoa amada, que paira ao longe, à luz rubra do sol poente, não se aproxima e não desaparece. E, enquanto ela lá estiver, não cai a noite, pois ela própria é o crepúsculo que incendeia o monte e o bosque.
Mozart transporta-nos até as profundidades do reino dos espíritos. O temor envolve-nos, mas um temor isento de mortificação, que é sobretudo um pressentimento do Infinito. Amor e melancolia soam em vozes delicadas, a noite do mundo dos espíritos nasce numa clara cintilação purpúrea. Numa saudade inefável, somos atraídos pelas figuras que amavelmente nos convidam para as suas danças de roda e esvoaçam por entre as nuvens na eterna dança das esferas — como na Sinfonia nº 39 em Mi Bemol Maior, conhecida como Canto do Cisne.
Assim também a música instrumental de Beethoven nos revela o reino do extraordinário e do incomensurável. Raios ardentes dardejam pela noite profunda desse reino, e nós apercebemo-nos de sombras gigantescas, que ondeiam para cima e para baixo, envolvem-nos cada vez mais estreitamente e tudo aniquilam em nós, exceto a dor da saudade infinita, na qual todo o prazer, depois de se ter subitamente elevado em sons jubilosos, cai e fica submerso. E só nessa dor, que em si consome, sem destruir, amor, esperança e alegria, que quer despedaçar o nosso peito com uma consonância perfeita de todas as paixões, nós continuamos a viver como videntes extasiados.
O gosto romântico é raro, ainda mais raro o talento romântico: por isso tão poucos são capazes de tocar aquela lira que desvenda o maravilhoso reino do Infinito. Haydn tem uma compreensão romântica do humano na vida humana; é acessível à maioria. Mozart reclama-se do sobre-humano, do maravilhoso, que reside no íntimo do espírito.
A música de Beethoven movimenta a alavanca do terror, do medo, do pavor, da dor, e desperta aquela infinita saudade que é a essência do Romantismo. Beethoven é um compositor puramente romântico (exatamente por isso verdadeiramente musical); e deve ser por isso que a sua música vocal é menos bem-sucedida, pois esta não permite o anseio indefinido, mas representa apenas os afetos designados pelas palavras, como que transpostos para o reino do Infinito.
Deve ser pelo mesmo motivo que a sua música instrumental raras vezes agrada à multidão. Exatamente essa multidão que não consegue penetrar na profundidade de Beethoven não deixa de atribuir-lhe um alto grau de fantasia. Em contrapartida, as suas obras são habitualmente consideradas apenas como produtos de um gênio que, despreocupado com a forma e a seleção dos pensamentos, se entregou ao seu fogo interior e às inspirações momentâneas da sua imaginação.
Não obstante, no que respeita à ponderação, ele deve ser colocado exatamente ao lado de Haydn e Mozart. Ele separa o seu eu do reino interior dos sons e reina sobre eles como soberano absoluto. Tal como os geômetras da Estética se lamentaram muitas vezes por faltar em Shakespeare toda a verdadeira unidade e o nexo interno; e como só aos olhos que veem mais fundo crescem, brotando de uma semente, uma bela árvore, botões e folhas, flores e frutos: assim também só uma penetração muito profunda na estrutura interna da música de Beethoven descobre essa elevada ponderação do mestre, que é inseparável do verdadeiro gênio e é alimentada pelo constante estudo da Arte. Bem no fundo da sua alma, Beethoven tem o Romantismo da Música, que ele exprime nas suas obras com elevada genialidade e ponderação.

O crítico nunca sentiu isso mais vivamente do que na Sinfonia nº 5 que, num clímax que até o fim se intensifica, revela aquele Romantismo de Beethoven, mais do que qualquer outra das suas obras, e arrasta irresistivelmente o ouvinte para o maravilhoso reino espiritual do infinito. [...]
Beethoven conservou a sequência habitual dos andamentos na Sinfonia. Eles parecem ser encadeados de uma maneira fantástica, e a totalidade sussurra aos ouvidos de alguns como uma rapsódia genial. Mas a alma de todo ouvinte sensível é sem dúvida profundamente, intimamente arrebatada por um sentimento constante, que é exatamente aquela inefável e presciente saudade, e nele permanece até o acorde final. Por mais alguns momentos, não conseguirá ainda sair do maravilhoso reino espiritual onde foi circundado pelo prazer e pela dor sob a forma de sons.
Além da organização interna da instrumentação etc., é sobretudo o íntimo parentesco dos diferentes temas entre si que produz aquela unidade que prende a alma do ouvinte numa mesma disposição íntima. Na música de Haydn e na de Mozart, essa unidade está sempre presente. Ela se torna mais clara ao músico quando ele descobre o baixo fundamental comum a dois andamentos diferentes, ou quando a ligação de dois andamentos o faz transparecer. Mas há uma afinidade mais profunda, que não pode manifestar-se daquela forma e, com frequência, apenas fala de espírito para espírito. É essa afinidade que reina entre os dois Allegros e o Minueto, e que anuncia magnificamente a genialidade ponderada do Mestre.
O crítico julga poder sintetizar em poucas palavras o seu juízo sobre a magnífica obra de arte do Mestre ao dizer: genial na concepção e profundamente ponderada na execução, exprime em altíssimo grau o Romantismo na Música. [...]
E.T.A. HOFFMANN. Trechos do artigo “Beethovens Instrumental-Musik”, publicado no Zeitung für die elegante Welt, em 1813, e republicado em Música e Literatura no Romantismo Alemão (Materiais Críticos, 1987). Tradução de Rita lriarte.




RAFAEL FRÜHBECK DE BURGOS [1933]
Fanfarra Sobre Temas da Sinfonia nº 4 de Brahms [2010]
5 MIN

JOHANNES BRAHMS [1833-97]
Nänie, Op.82 [1880-1] (Elegia)
14 MIN
Gesang der Parzen, Op.89 [1882] (Canto das Parcas)
14 MIN
Schicksalslied, Op.54 [1869] (Canção do Destino)
20 MIN

LUDWIG VAN BEETHOVEN [1770-1827]
Sinfonia nº 5 em Dó Menor, Op.67 [1804-8]
- Allegro Con Brio
- Andante Con Moto
- Allegro (Attacca)
- Allegro
31 MIN

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