Temporada Osesp: Tortelier rege Stravinsky e Rossini
Yan Pascal Tortelier por Desirée Furoni
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
12 set 13 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
13 set 13 sexta-feira 21h00
Sapucaia
14 set 13 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 12/SET/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 13/SET/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 14/SET/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00


No dia 13 de agosto, às 20h00, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Yan Pascal Tortelier regente
Rosana Lamosa soprano
Carolina Faria contralto
Luciano Botelho tenor
Savio Sperandio baixo
Coro Acadêmico
Marcos Thadeu regente
Coro da Osesp
Naomi Munakata regente
Programa
Igor STRAVINSKY
Sinfonia dos Salmos
Gioacchino ROSSINI
Stabat Mater

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa
Pietá, de Michelangelo Buonarroti (1475-1564)
Em 1929, Stravinsky andava com o orçamento meio apertado. Além das despesas com a família — vivia com a esposa e os filhos no sul da França – ainda enviava um pouco de dinheiro para os parentes que haviam ficado na Rússia. Assim, veio bem a calhar o cachê de seis mil dólares oferecido pelo maestro Serge Koussevitzky para que o compositor criasse uma nova peça sinfônica a ser estreada no ano seguinte, por ocasião das comemorações do quinquagésimo aniversário da Sinfônica de Boston.
Tendo regressado, três anos antes, ao seio da Igreja Ortodoxa Russa, Stravinsky experimentava um forte sentimento religioso que iria se expressar nessa sua nova obra. Assim nasceu a Sinfonia Dos Salmos, cuja inspiração o compositor foi buscar na Vulgata, a tradução da Bíblia para o latim feita por São Jerônimo no século V. A dedicatória do autor não deixa dúvidas: “Esta Sinfonia, composta para a Glória de Deus, é dedicada à Orquestra Sinfônica de Boston”.
Atravessando o momento de sua carreira que ficou conhecido como neoclássico, Stravinsky concebeu uma sinfonia coral em que evitou utilizar os meios tradicionais do romantismo. Eliminou da orquestra os violinos, a viola e o clarinete, adicionando dois pianos. Para criar uma atmosfera evocadora das celebrações litúrgicas das grandes catedrais, usou um coral a quatro vozes (sopranos, contraltos, tenores e baixos), anotando, na partitura, sua preferência, sempre que possível, por vozes infantis no lugar das femininas. Como ele registrou em suas memórias: “Minha sinfonia tinha que ser uma obra de grande desenvolvimento contrapontístico e, para isso, eu precisava ampliar os recursos à minha disposição. Projetei um conjunto vocal e instrumental com o mesmo status, sem predomínio de nenhum deles. Assim, meu ponto de vista coincidia com o dos antigos mestres da música contrapontística.”
A Sinfonia foi concebida em três movimentos, que devem ser executados sem interrupção. No primeiro, Stravinsky utilizou os versículos 13 e 14 — Exaudi orationem meam — do salmo 38 da Vulgata (correspondente ao salmo 39, versículos 12 e 13, da versão da Bíblia do rei James e da maioria das edições em português). O texto do segundo movimento, que começa pelo verso Expectans expectavi Dominum, foi extraído dos versículos 2, 3 e 4 do salmo 39 (ou salmo 40). O último movimento empresta as palavras do último dos salmos, o de número 150: Alleluia. Laudate Dominum in sanctis Ejus.
Stravinsky foi sempre um compositor não convencional. Ele deixou muito claro que, ao contrário de tantas outras obras criadas para coro e orquestra, esta “não é uma sinfonia na qual eu incluí salmos para serem cantados. Ao contrário, é o cantar dos salmos que eu estou sinfonizando!”
O contrato firmado entre Stravinsky e a Sinfônica de Boston continha uma cláusula determinando que, se a orquestra não apresentasse a Sinfonia Dos Salmos até novembro de 1930, o compositor estaria livre para estreá-la com uma orquestra europeia. Como Koussevitzky adoeceu, a obra acabou tendo sua première em Bruxelas, com a Société Philharmonique, regida por Ernest Ansermet, em 13 de dezembro de 1930. Koussevitzky regeu a estreia americana com a Sinfônica de Boston menos de uma semana depois, em 19 de dezembro. Os críticos a receberam bem, embora com reservas. Obras como essa, com muitas novidades a serem assimiladas, têm de aguardar até que sejam compreendidas pelo público. Há alguns anos, a revista Time considerou a Sinfonia Dos Salmos como a melhor peça de música erudita composta no século XX.

Ícone de Andrei Rublev (1360-1430)
Em 1827, já residindo em Paris, Gioachino Rossini conheceu o banqueiro de origem espanhola Alejandro María Aguado. Rossini, o maior operista italiano daquele momento, e Aguado, extremamente respeitado nos meios financeiros franceses, tornaram-se muito amigos. Logo o financista passou a agir como patrocinador do compositor, além de cuidar pessoalmente dos investimentos de Rossini e abrir para ele as portas dos mais altos círculos sociais parisienses. A amizade se tornou tão íntima que as duas últimas óperas rossinianas, Le Comte Ory e Guillaume Tell, foram compostas na mansão de Aguado, nas cercanias de Paris.
Um dos mais antigos desejos de Aguado era o de apresentar Rossini à sua Espanha natal, onde o banqueiro ainda mantinha importantes negócios e investimentos em obras públicas. A oportunidade surgiu em fevereiro de 1831, quando o compositor aceitou, com alegria, o convite do amigo para acompanhá-lo numa viagem a Madri. Partiram no dia 4, e, nove dias depois, Rossini, que chegava precedido por sua grande fama de compositor, foi recebido em grande estilo na corte do rei Fernando VII. Nos dias que se seguiram, o italiano foi festejado pela nobreza espanhola com toda a pompa.
Numa dessas oportunidades, Aguado apresentou Rossini a um dos príncipes da Igreja Espanhola, o arquidiácono de Madri, Dom Manuel Fernández Varela, amigo das artes e dono de grande fortuna pessoal. Poucos dias depois, entusiasmado com a magnífica acolhida do público à encenação de O Barbeiro de Sevilha, que o próprio Rossini regeu e à qual assistiu, o prelado fez questão de que sua coleção de obras de arte se enriquecesse com um manuscrito original do italiano, uma composição criada especialmente para ele.
Rossini não teve como se esquivar quando Fernández Varela encomendou oficialmente uma obra de cunho religioso. O acordo entre ambos previa que, após a primeira execução pública, o manuscrito retornaria aos arquivos do arquidiácono e jamais seria publicado. Como pagamento, Rossini recebeu, em vez de dinheiro, uma caixa de rapé feita toda de ouro e generosamente recoberta de diamantes. Varela pediu a Rossini que musicasse — como antes dele haviam feito Palestrina, Pergolesi, Scarlatti, Vivaldi e Haydn, e como Dvorák faria depois — o texto da sequência litúrgica Stabat Mater Dolorosa, escrita no século XIII pelo poeta e frade franciscano Jacopone da Todi. O poema, que descreve a dor de Maria ao ver seu Filho crucificado, é o equivalente literário da Pietà de Michelangelo.
Rossini concebeu seu Stabat Mater em 12 partes, com execução confiada a quatro solistas (tenor, soprano, mezzo soprano e baixo), coro e orquestra. O arquidiácono esperava que a estreia acontecesse ainda na Páscoa de 1831, mas viu suas expectativas frustradas. Rossini, cujo estado de saúde não era bom, acabou estendendo o trabalho de composição até 1832, e mesmo assim escreveu de próprio punho apenas seis números. Os trechos restantes foram compostos discretamente, a pedido de Rossini, por seu grande amigo Giovanni Tadolini.
O Stabat Mater original estreou finalmente na capela privada do arquidiácono na Sexta-Feira Santa de 1833.
Quando Varela morreu, em 1837, o manuscrito acabou sendo vendido pelos herdeiros e, em 1841, acabou nas mãos do editor parisiense Antonin Aulagnier, que se dispôs a publicá-lo, contrariando frontalmente tudo aquilo que havia sido combinado entre Varela e Rossini. Este, irritado e temeroso de que viesse a público o fato de a obra não ter sido totalmente composta por ele, resolveu rever a partitura. Compôs novamente os trechos assinados por Tadolini, reduziu a peça para dez números e apressou-se a vender os direitos para seu editor, Eugène-Théodore Troupenas, enquanto tentava, judicialmente, impedir a edição de Aulagnier. Após um longo processo, Rossini obteve uma vitória parcial: Aulagnier poderia publicar apenas os trechos compostos por Tadolini. A versão definitiva do Stabat Mater rossiniano, em dez partes, estreou a 7 de janeiro de 1842 no Théâtre Italien de Paris, com alguns dos maiores cantores líricos do momento: a soprano Giulia Grisi, a mezzo Emma Albertazzi, o tenor Mario di Candia e o baixo Antonio Tamburini. A primeira execução italiana, em março do mesmo ano, em Bolonha, teve no pódio, a pedido de Rossini, ninguém menos do que o compositor Gaetano Donizetti.
SERGIO CASOY é professor convidado do departamento de Música da USP e autor de Ópera em São Paulo: 1952- 2005 (Edusp, 2007).




IGOR STRAVINSKY [1882-1971]
Sinfonia Dos Salmos [1930 - rev. 1948]
- Salmo 38: Versículos 13 e 14 (Attacca)
- Salmo 39: Versículos 2, 3 e 4 (Attacca)
- Salmo 150
21 MIN

GIOACHINO ROSSINI [1792-1868]
Stabat Mater [1831-41]
61 MIN

LER +
Fundação Osesp
Endereço: Praça Júlio Prestes, nº 16 | CEP 01218 020 | São Paulo-SP
Telefone: (11) 3367 9500