Temporada Osesp: Guerrero e Trifonov
Daniil Trifonov
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
07 nov 13 quinta-feira 21h00
Jacarandá
08 nov 13 sexta-feira 21h00
Pequiá
09 nov 13 sábado 16h30
Ipê
QUINTA-FEIRA 07/NOV/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 08/NOV/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 09/NOV/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00


No dia 8 de novembro, às 20h00, os alunos da Academia de Música da Osesp fazem uma apresentação com repertório surpresa na Sala Carlos Gomes, minutos antes da aula Falando de Música. Chegue um pouco mais cedo e aproveite!

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Giancarlo Guerrero regente
Daniil Trifonov piano
Programa
Michael DAUGHERTY
Desi
Sergei RACHMANINOV
Rapsódia Sobre um Tema de Paganini, Op.43
A Ilha dos Mortos, Op.29
Antonín DVORÁK
Abertura Otelo, Op.93
bis solista
quinta
Maurice RAVEL

Alborada del Gracioso
 
sexta
Johann Sebastian BACH [Transcrição Sergei RACHMANINOV] 
Partita nº 3 em Mi Maior - Gavotte
 
sábado
Ígor STRAVINSKY
[Transcrição Guido AGOSTI]
O Pássaro de Fogo: Dança Infernal
 

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa
Die Toteninsel [A Ilha dos Mortos], Tela de Arnold Bocklin (1827-1901)
Desi foi composta para a Banda Sinfônica da Stephen F. Austin State University e estreada pela mesma, regida por John Whitwell, na cidade de Kansas, Missouri, em 1991. Desde então, a peça tem sido muito apresentada nos Estados Unidos, por conjuntos que variam desde a Banda da Marinha até a Orquestra Sinfônica de São Francisco, e, no exterior, por diversos grupos musicais, como a Tokyo Kosei Wind Orchestra, o Nederlands Blazers Ensemble e a Tonhalle Orchester Zürich.
A composição é uma homenagem ao músico e ator Desi Arnaz (1917-87), que, ao lado de sua esposa Lucille Ball, interpretou o bandleader cubano Ricky Ricardo em I Love Lucy, considerado um dos sitcoms mais inovadores da televisão norte-americana na década de 1950.
Michael Daugherty
O motivo rítmico de abertura é derivado da “Dança da Conga”, que ficou famosa quando Arnaz cantava e tocava bongô nos musicais de Hollywood da década de 1940. Em Desi, o solista do bongô e o naipe de percussão oferecem um contraponto alegre às complexas estruturas dos cânones musicais e clusters de quatro notas, criando camadas polirrítmicas que se intensificam e se desenvolvem até uma conclusão excitante. Desi evoca um som latino pontuado por trompetes das big bands, glissandos de trombones e frenéticas frases das madeiras.
Michael Daugherty. Tradução Wordplay.
 
 


O nome do compositor, pianista e maestro russo Sergei Rachmaninov é frequentemente associado a “romantismo tardio”. Se a categoria faz sentido quando se leva em conta o período mais pujante da música romântica, a pecha de anacronismo desconsidera que as inflexões das artes desbordam de quadros fixos para atender às diferentes inclinações dos criadores, realizando uma beleza sem data de vencimento. Rachmaninov não se alinhou entre os compositores de vanguarda do início do século XX: expandiu sua energia romântica, que não era pequena, sem se deixar atrair, por exemplo, pela atonalidade. Seu arrebatamento emocional e seu espírito melancólico, radicalizados por vezes numa mesma peça, compuseram- se no estilo que lhe possibilitava a expressão desse agudo contraste.
Também as linguagens das diferentes artes por vezes não confinam em si mesmas: procuram-se e tocam-se umas às outras, na busca de uma atuação simbólica para além do código próprio. Palavras querem gravar-se como imagens sombrias ou iluminadas; pinturas sugerem uma narração; sons desenham paisagens e encenam personagens. Quem fecha os olhos para melhor ouvir a música pode ser convocado a cruzar uma ponte rumo a outras sensações, referências extramusicais que se agregam à audição: em vez de música “pura”, ou “absoluta”, as notas querem também sugerir o recorte mais preciso de um mito, de uma cena dramática — ou mesmo da trágica viagem da morte.
É a representação da morte que causou forte impressão a tantos espectadores (entre eles, Hitler e Freud) num quadro de uma série do pintor suíço Arnold Böcklin, executada entre 1880 e 1886: lá está a imagem de um barco, remado por Caronte, prestes a fazer chegar um morto ao destino final — uma tão bela quanto lúgubre ilha de rochas e ciprestes. A visão desse quadro, numa mostra em Paris, levou Rachmaninov ao poema sinfônico A Ilha Dos Mortos, em 1908.
O compositor produziu-o como um sugestivo roteiro da última viagem, aberto pelo compassar das resolutas remadas do barqueiro, traduzidas sobretudo nas cordas graves. Esse movimento francamente imitativo expande-se pelos demais instrumentos e se torna referência de fundo, ora incisiva, ora sutil, por vezes dando lugar a cromatismos com tonalidades sentimentais que vão do patético ao lírico, da gravidade dos súbitos acordes ao devaneio de fugazes linhas melódicas.
A estrutura significativa da peça está nesse diálogo dramático entre a regularidade obstinada das “remadas” e a renitente poesia da vida, o “infinito anelo” dos românticos, que aqui parece insistir numa última e lancinante busca de afirmação. A pintura ganha assim, com a música, mais que timbres e alturas: ganha o andamento cadenciado ou os livres devaneios de uma narrativa musical. Ao final desse poema sinfônico, retorna o movimento dos remos implacáveis, que se vai distanciando até silenciar. O silêncio, aqui, tem foro especial: surge como materialização mesma do fim da última viagem. Convém ouvi-lo, antes de aplaudir.

A Rapsódia Sobre um Tema de Paganini faz lembrar que também os compositores se procuram com frequência para compartilhar temas e formas musicais, em citações num novo universo. Já haveria afinidade entre o Rachmaninov virtuose do piano e o Paganini megavirtuoso do violino, mas o que o russo encontrou nos Caprichos do colega italiano terá sido antes o tema insinuante, que se abre para as livres e movimentadas variações de sua rapsódia.
Não há nesta obra exibicionismo acrobático, mas uma investigação propriamente musical, por vezes delicadamente vazada em registro emotivo, como na tchaikovskiana variação nº 18 (massificada pelo filme Em Algum Lugar do Passado, de 1980). Noutras variações, como em outras peças do longo período que viveu fora de seu país (de 1917 até a morte, nos Estados Unidos), há acentos mais modernos, em que alguns ouvem ressonâncias de Mussorgsky e Prokofiev.
Nosso gosto artístico se traduz sempre por escolhas, como escolhas são feitas pelos criadores. Até onde possa valer um critério para acolher em plenitude o romantismo exacerbado de Rachmaninov, fica aqui esta convicção do eclético pintor russo Kandinsky: “Todos os procedimentos são sagrados quando interiormente necessários”.
Alcides Villaça é professor de literatura brasileira da USP, crítico literário e ensaísta, autor de Passos de Drummond (Cosac Naify, 2006).



MICHAEL DAUGHERTY [1954]
Desi [1991]
5 MIN

SERGEI RACHMANINOV [1873-1943]
Rapsódia Sobre um Tema de Paganini, Op.43 [1934]
- Introdução
- Tema
- 24 Variações
22 MIN
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SERGEI RACHMANINOV [1873-1943]
A Ilha Dos Mortos, Op.29 [1908]
21 MIN

ANTONÍN DVORÁK [1841-1904]
Abertura Otelo, Op.93 [1892]

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