Concerto de Encerramento da Temporada 2013 da Osesp
Elizabeth del Grande por Ding Musa
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
12 dez 13 quinta-feira 21h00
Pau-Brasil
13 dez 13 sexta-feira 21h00
Sapucaia
14 dez 13 sábado 16h30
Jequitibá
QUINTA-FEIRA 12/DEZ/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 13/DEZ/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 14/DEZ/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Ricardo Bologna regente
Elizabeth del Grande tímpano
Programa
Eduardo Guimarães ÁLVARES
A Lua do Meio-Dia [Encomenda Osesp. Estreia Mundial]
Edgard VARÈSE
Amériques
Igor STRAVINSKY
A Sagração da Primavera

Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa

Derradeira obra do compositor mineiro Eduardo Guimarães Álvares, A Lua do Meio-Dia representa uma síntese depurada de sua linguagem musical, ápice de seu último período criativo, que se estende de 2008 até 2013. O compositor desenvolveu um vocabulário original de grande rigor e pluralidade técnica, sem no entanto ater-se à preocupação de homogeneidade que permeia a obra de compositores como Schoenberg ou Boulez. As influências são múltiplas: Claude Debussy, Igor Stravinsky, Edgar Varèse, György Ligeti, Luciano Berio e, sobretudo, Mauricio Kagel. Como um radar sismográfico de seu tempo, Eduardo reflete vários aspectos da música contemporânea.
Há sim uma herança que podemos chamar de pós-serial, identificável nas harmonias dissonantes, nas oitavações e na amplitude das tessituras. Eduardo reintroduz procedimentos neotonais e neomodais associados a novas texturas, elementos submetidos a um intenso tratamento polimétrico. As melodias são angulosas e cheias de aspereza, sem nenhum resquício pós-romântico. Surgem, assim, dimensões expressivas atrevidamente heterogêneas.
A “lua do meio-dia” é um fenômeno que acontece com frequência nos céus tropicais: a lua resplandece intensamente, contrapondo-se ao sol em brilho e pujança. A partir dessa ideia, Eduardo constrói sua dialética musical em um concerto para tímpanos e conjunto de percussão, homenageando a instrumentista Elizabeth del Grande, por quem tinha a mais profunda admiração.
Com grupos instrumentais dispostos antifonicamente no grande palco da Sala São Paulo, estão em constante oposição concertante timbres opacos de tambores e madeiras (representando a Lua) e timbres brilhantes de metais, pianos e celestas (representando o Sol). Dispostos em meia- -lua, com os tímpanos no centro, a trama camerística traduz o intenso duelo de luz entre o Sol e a Lua. A peça se encerra de maneira explosiva, em um turbulento amálgama sonoro.
De grande complexidade rítmica, a rigorosa construção frequencial (tanto na horizontalidade das alturas quanto na verticalidade dos caminhos harmônicos) revela um compositor no apogeu de seus recursos estilísticos: economia de meios, blocos de sons dispersos na textura orquestral e formações melódicas atonais de grande amplitude que se coagulam em clusters, como amebas sonoras.
A partir das intervenções do tímpano, derivam- se ideias que serão desenvolvidas durante a peça. Macro e microestruturas revelam-se em perfeita harmonia de planejamento matemático. A grande oscilação da densidade orquestral evidencia o caráter teatral e dramático do som. A Lua do Meio-Dia revela um compositor e sua poética musical de grande liberdade expressiva, intensamente pessoal.
Paulo Guimarães Álvares é pianista e professor da Hochschule für Musik und Tanz Köln e da Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco (Esart). A Revista Osesp homenageia o compositor mineiro, falecido precocemente em março deste ano.



Não é à toa que a primeira obra de Varèse (por ele reconhecida como tal) se chama Amériques. Um modo, talvez, de expressar a sua libertação do peso ou pesadelo da música europeia. E também uma experiência pessoal. Em 29 de dezembro de 1915, com 80 dólares no bolso, ele desembarcava em Nova York, para ficar. Ezra Pound faria o percurso inverso; em 1908, com os mesmos 80 dólares, ele viajava de Nova York para Veneza. A América seria para Varèse, francês de nascimento, a pátria de eleição, como o foi a Itália para Pound. Antípodas no exílio, nunca se conheceram, embora certas ideias de Pound sobre música — as que o ligaram ao compositor norte-americano George Antheil (1900-59) e à “música no espaço-tempo” — tivessem algo a ver com as concepções varesianas. (Enquanto ocorriam em Filadélfia, em 9 e 10 de abril, e em Nova York, em 13 de abril de 1926, sob a direção de Stokowski, as primeiras audições de Amériques, que só chegaria a Paris em 30 de maio de 1929, Antheil e Pound estreavam, nessa cidade, em 19 e 29 de junho de 1926, respectivamente, o Ballet Mécanique e o Testamento de Villon.)
Nos Estados Unidos, afrontando convenções e resistências, Varèse desenvolveria uma extraordinária atividade de divulgação da obra dos compositores modernos, à frente da New Symphony Orchestra (1919) e da International Composers’ Guild (1921-8), que, entre outras composições, revelaria ao público americano o Pierrot Lunaire e a Serenade, de Schoenberg, as Peças para Quarteto Op.5, de Webern, o Concerto de Câmara, de Berg, Renard e Noces, de Stravinsky, Men And Mountains, de Carl Ruggles, Ensemble, de Henry Cowell, assim como algumas das principais criações do próprio Varèse.
Amériques — a primeira a ser composta — foi concebida para grande orquestra, exigindo um total de 125 executantes (a versão original previa 142), com ênfase nos instrumentos percussivos. É uma retomada e uma radicalização da selvageria sonora da Sagração da Primavera. Ou talvez uma síntese da Sagração e de Jeux, de Debussy. Uma explosão sônica, onde os entrechoques das massas sonoras, os contrastes de dinâmica e de coloração, as violentas tensões rítmicas tendem a se sobrepor ao discurso melódico e harmônico. Nessa implacável conflagração de sons-ruídos e ruídos-sons, que uma flauta, em raros momentos, suaviza, a sirene — com seu residual semântico, conotativo do mundo urbano e industrial — é o único soprano, antecipando, nas suas curvas glissantes, crivadas de percussão, os solilóquios plásticos e obstinados de Ionisation [a peça mais célebre de Varèse, composta entre 1929 e 1931] . “Eu me tomei uma espécie de Parsifal diabólico à procura não do Santo Graal, mas da bomba que faria explodir o mundo musical e deixaria penetrar todos os sons pela brecha, sons que à época — e talvez ainda hoje — eram tidos como ruídos”, diria Varèse em 1956.
Augusto de Campos, Música de Invenção (Perspectiva, 1998).





A Sagração da Primavera, de Stravinsky, é o teste final para qualquer regente — ainda hoje, 100 anos após a sua composição! Em termos técnicos, é uma obra realmente difícil, com constantes mudanças métricas (de 7/16 a 3/8, 5/16 e 2/8). Segundo consta, os bailarinos na estreia fracassaram em todas essas complexidades métricas. Até a Sagração, eles estavam acostumados a dançar apenas em compassos binários!
Mas os desafios técnicos não param por aí. O regente deve atravessar a peça controlando os tempos modulados metricamente, que exigem proporções e relações precisas. O andamento nesta obra-prima é essencial.
Stravinsky escreveu para uma orquestra enorme, acrescentando instrumentos que raramente são tocados, como a “trompa wagneriana”, o “trompete baixo” e a “flauta alto”. O regente deve conter e controlar estas forças gigantescas, traduzidas em mais de 120 músicos no palco!
Mas, para mim, o maior desafio é transmitir de maneira convincente a amplitude e o drama da narrativa subjacente. A Sagração é a história definitiva da vida e da morte; da criação e da evolução; um instantâneo do nascimento de nosso mundo. Transbordante, palpitante, pulsante, é uma peça que se coloca antes e além do seu tempo.
Nunca esquecerei meu primeiro encontro com a Sagração, quando eu tinha sete anos e fui assistir ao filme Fantasia. Meus olhos arregalados de temor ante aqueles dinossauros tonitruantes e minha reação visceral à música estranha de Stravinsky... Meu objetivo é recriar essa experiência para vocês hoje!
Marin Alsop.
Tradução Wordplay.






EDGARD VARÈSE [1883-1965]
Amériques [1921-9]
25 MIN
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IGOR STRAVINSKY [1882-1971] Sagração 100
A Sagração da Primavera [1911-3]
I. A Adoração da Terra
- Introdução
- Dança Das Adolescentes
- Jogo do Rapto
- Rondas Primaveris
- Jogos Das Cidades Rivais
- Cortejo do Sábio
- Adoração da Terra
- Dança da Terra
II . O Sacrifício
- Introdução
- Círculos Misteriosos Das Adolescentes
- Glorificação da Eleita
- Evocação Dos Ancestrais
- Ritual Dos Ancestrais
- Dança do Sacrifício - A Eleita
33 MIN

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