Mas ler a obra de Villa-Lobos somente nessa chave seria uma redução e um erro. Pois as fraturas são também, e em mesma medida, fraturas composicionais. Principalmente na época dos Choros, ele foi um compositor que soube explorar, face ao esgotamento da linguagem musical comum, texturas e massas sonoras, experimentando novas possibilidades no âmbito do sistema tonal: incorporando elementos da música popular urbana, tratou de testar, com muita propriedade, os limites de novas formas expressivas, lançando mão de estruturas mais flexíveis, mais maleáveis, mais permeáveis, mais rapsódicas, mais fragmentárias, mais imprevisíveis, mas não necessariamente inconsistentes. Sua obra explorou o simultâneo e rapsódico, massas sonoras, timbres, imprevistos e sobreposições.